segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Um filme, por favor!

- Talvez você queira ficar um tempo sem me ver.
- Por que?
- Você sabe. O tempo e a distância podem ajudar...
- Pensa mesmo que faria alguma diferença? Não é a minha memória que gosta de você, sou eu, entende? Posso me esquecer de você e ainda continuar te amando. Lembra daquele filme, Brilho eterno de uma mente sem lembranças? Assistimos juntos. Então...
- Se eu pudesse...
- Mas você não pode. Chega a ser irônico, o amor é algo tão nosso e, ao mesmo tempo, nos escapa por completo. Ele simplesmente cresceu de repente. Um dia, quando te encontrei, o percebi dentro de mim.
- Por que não sai com a K, ela parece gostar de você. Talvez se olhasse mais para ela, o seu sentimento por mim abrandaria.
- Eu só vou conseguir olhar realmente para ela depois que o meu sentimento por ti abrandar.
- Você é teimoso e birrento e isso me parece excesso de masoquismo da sua parte.
- Masoquismo seria eu ser infiel a mim mesmo. Sabe qual é o problema? Você imagina que sofro mais do que me alegro ao seu lado e acaba se preocupando demais. Eu sei até aonde eu posso ir. Sabe, essa conversa não faz muito sentido, ela será sempre circular. Você quer me convencer a não gostar de você, só que se esquece que razões são completamente impotentes a esse respeito. Todas essas suas tentativas, eu até entendo, mas elas me parecem completamente sem sentido diante do que sinto por você. Pare de se preocupar!
...
- Vamos ao cinema?
- Vamos!

2 comentários:

Unknown disse...

Na verdade, até existem maneiras de desapaixonar uma pessoa. Mas nenhuma delas passa por argumentos...

Eros disse...

E como você vê a questão? Eu acho que acontece quando você percebe algo na pessoa que lhe tira a admiração que tinha por ela. Alguns comportamentos/atitudes morais, variáveis de pessoa para pessoa, têm essa capacidade.

A esse respeito tem até uma cena interessante no "Liberdade é Azul". Após perder o marido e a filha em uma acidente de carro, numa noite talvez depressiva, buscando consolo, Julie (Juliette Binoche) liga para um amigo que há muito tempo era apaixonado por ela. Passam a noite juntos. No outro dia, ela se despede dele, e lhe diz, mais ou menos como a minha memória o permite: "agora que você sabe que sou uma mulher como qualquer outra, que tenho cáries, hálito etc, poderá me esquecer mais facilmente".

Isso faz um bom sentido.