sexta-feira, agosto 18, 2006

Venusiana

Outro dia olhava para as estrelas quando vi que uma delas piscava. Mas não era bem uma estrela e sim Vênus. Fiquei intrigado, pois ele piscava de maneiria incomum, com regularidade. Passei a observá-lo noites seguidas, até perceber que os intervalos luminosos seguiam o padrão do código morse. Qual não foi, então, a minha surpresa quando li, no céu estrelado, o chamado, "Eros, estou observando você". Esfreguei os olhos, mas quando os abri, percorri outra seqüência luminosa, que dizia, "Não se assuste, Eros, já faz tempo que eu o acompanho". Pensei que estivesse ficando doido. No entanto, depois de mais algumas interações, notei que os seres de Vênus podiam ler meus pensamentos. E assim passei a dialogar com o planeta todas as noites. Na verdade, não era com o planeta, mas com uma venusiana. Fiquei encantando com as coisas que ela falava sobre mim, vendo-me lá de cima. Certa vez, ela me disse que sempre sonhara em me dar as mãos nas minhas caminhadas solitárias e que um dia desejou ser a luz para se projetar sobre mim, quando me viu pensativo sobre as gramas do Botânico. Outro dia eu perguntei a ela se a distância não era um empecilho para o nosso amor e ela me respondeu mais ou menos assim: "Tolinho, pense bem. A distância pode até diminuir a força gravitacional, mas é impotente para aniquilar com ela. E olha que, entre as forças físicas, ela é a mais fraca, a menos significante. Acha então que a distância poderia fazer algo contra a mais intensa das forças metafísicas?". Mesmo assim eu chorava por não poder abraçá-la e ela me consolava dizendo para eu jamais deixar de sonhar, que, se eu o fizesse, aí sim deixaria de ser possível o que desejava. E como sonhei e como ainda sonho ser resgatado pela minha namorada venusiana.

Nenhum comentário: