sábado, novembro 25, 2006
Endorfina
Descobri o que estava faltando: endorfina. Correr é algo imponente. Devido ao trabalho realizado, você impacta a terra com alguns quilos a mais, sente-se agente. Devido à inércia, você continua adiante quando nada mais parece fazer sentido, sente-se leve. Devido à endorfina, você seduz e se deixa seduzir, sente-se encantador. Vida desabrochada e relaxada.
sábado, novembro 18, 2006
Safe
Fui dormir com a última cena de Safe (direção de Todd Haynes, para quem se interessar) no peito, engasgando uma angústia na garganta. Buscando desesperadamente sobreviver, ela se olha no espelho e repete várias vezes: "eu me amo, eu me amo, eu me amo...". Neste momento, ela já tinha perdido a compreensão das suas amigas, do seu marido e de todos que estavam a sua volta. Só, completamente só, fechada hermeticamente em um iglu espartano no meio de um deserto. Ali a verdade revelou-se nua e crua: uma pessoa precisa existencialmente do amor próprio quando não recebe nenhum de fora. A luta pela sobrevivência é desesperada, humilhante.
sexta-feira, novembro 17, 2006
Mentira
Não há nada que eu odeie mais que mentiras escarradas na cara. Não é pela mentira, que pode-se até perdoar, afinal, quem não mente? Mas sim por me julgar idiota o suficiente para acreditar nela.
quarta-feira, novembro 15, 2006
Filosofia.
"A filosofia nunca me dará aquilo de que mais sinto falta. (01/02/98)". Continua sendo verdade em (15/11/2006).
sábado, novembro 11, 2006
Palavra
Rousseau era belo, garboso, por isso, sim não há uma seqüência lógica aqui, dotou a natureza humana de bondade. Quem sorri sempre vê o lingínquo ideal como próximo. Hobbes era feio, ressentido, viveu trancafiado em uma masmorra por mais de década e só pôde olhar gelidamente para a parca humanidade que via em seu espelho. Olhos frios que apalpam a realidade áspera. Há dias em que acordo hobbesiano, com um gosto amargo na boca, achando que as pessoas só falam para magoar e exercer o sadismo. Escavam a alma com gargalhadas diabólicas. Sabe, palavras são armas letais e poucos se dão conta disso. Nem todos estão aptos a usá-las. Nem todos deveriam usá-las.
sexta-feira, novembro 03, 2006
I
Infinito
ilimitado
iluminado
intrépido
ímpeto
imortal
incoerência
iso
i igualdade
in
i irreverente
i individual
i isolado
i interrogador
i invertido
!
Belo i que me dá as mãos, que me olha sorrindo com sua lágrima flutuante. I que flecha o peito.
Ininteligível!
ilimitado
iluminado
intrépido
ímpeto
imortal
incoerência
iso
i igualdade
in
i irreverente
i individual
i isolado
i interrogador
i invertido
!
Belo i que me dá as mãos, que me olha sorrindo com sua lágrima flutuante. I que flecha o peito.
Ininteligível!
sábado, outubro 28, 2006
Superfantástico
Superfantástico amigo!
Que bom estar contigo
No nosso balão!
Vamos voar novamente
Cantar alegremente
Mais uma canção
Tantas crianças já sabem
Que todas elas cabem
No nosso balão
Até quem tem mais idade
Mas tem felicidade
No seu coração
Sou feliz, por isso estou aqui
Também quero viajar nesse balão!!
Superfantástico!
No balão mágico,
O mundo fica bem mais divertido!!
Superfantásticamente!
As músicas são asas da imaginação
É como a flor e a semente
Cantar que faz a gente
Viver a emoção
Vamos fazer a cidade
Virar felicidade
Com a nossa canção
Vamos fazer essa gente
Voar alegremente
No nosso balão!
Sou feliz, por isso estou aqui
Também quero viajar nesse balão!!
Superfantástico!
Lembro da minha emoção ao entrar no estádio para ver a turma do balão mágico. Eu, então, com 7 ou 8 anos. Emoção sim, taquicardia, pernas trêmulas, olhar compenetrado e sonhos infantis de um encontro que nunca aconteceu. Eu estava apaixonado e não era pela Symony. Sempre achei ela sem graça, patricinha, esnobe. Eu gostava era da Luciana, com seus cabelos cor de mel, meiga e doce. Poucos se lembram dela. Sua participação era míngua e eu sofria muito com isso. Aliás, hoje ela consegue ser mais anônima do que eu no Google. Incrível. Podem pesquisar, Luciana Benelli, três ou quatro entradas no máximo. Mas era dela que eu gostava e são delas os movimentos sobre o palco que me lembro agora ao escutar Superfantástico.
Que bom estar contigo
No nosso balão!
Vamos voar novamente
Cantar alegremente
Mais uma canção
Tantas crianças já sabem
Que todas elas cabem
No nosso balão
Até quem tem mais idade
Mas tem felicidade
No seu coração
Sou feliz, por isso estou aqui
Também quero viajar nesse balão!!
Superfantástico!
No balão mágico,
O mundo fica bem mais divertido!!
Superfantásticamente!
As músicas são asas da imaginação
É como a flor e a semente
Cantar que faz a gente
Viver a emoção
Vamos fazer a cidade
Virar felicidade
Com a nossa canção
Vamos fazer essa gente
Voar alegremente
No nosso balão!
Sou feliz, por isso estou aqui
Também quero viajar nesse balão!!
Superfantástico!
Lembro da minha emoção ao entrar no estádio para ver a turma do balão mágico. Eu, então, com 7 ou 8 anos. Emoção sim, taquicardia, pernas trêmulas, olhar compenetrado e sonhos infantis de um encontro que nunca aconteceu. Eu estava apaixonado e não era pela Symony. Sempre achei ela sem graça, patricinha, esnobe. Eu gostava era da Luciana, com seus cabelos cor de mel, meiga e doce. Poucos se lembram dela. Sua participação era míngua e eu sofria muito com isso. Aliás, hoje ela consegue ser mais anônima do que eu no Google. Incrível. Podem pesquisar, Luciana Benelli, três ou quatro entradas no máximo. Mas era dela que eu gostava e são delas os movimentos sobre o palco que me lembro agora ao escutar Superfantástico.
domingo, outubro 15, 2006
Vizinha
A minha vizinha trocou de roupa. Ontem ela vestia um gordinho simpático, porém ciumento. Era visível pelo modo como a agarrava quando nos encontrávamos no elevador. Ele tinha um carro branco. Hoje ela veste um lutador de jiu jitsu, magro, másculo, óculos escuros, sabe, desses com cara de pegador. Carro preto e esportista. Eu levei um susto quando, ao sair para o trabalho, topei com a leve notável mudança. Ela era tão apaixonada, sempre roçando o gordinho...havia, ainda há, uma placa na sua porta: "aqui mora uma família feliz". Uma família cambiante, é verdade.
A vida é um amontoado de flashes. Deus parece que se esqueceu de contratar alguém para juntar essas fotos esparsas em um filme com movimento. Ou ele existe, mas passa numa velocidade muito rápida ou muito devagar para percebermos.
A vida é um amontoado de flashes. Deus parece que se esqueceu de contratar alguém para juntar essas fotos esparsas em um filme com movimento. Ou ele existe, mas passa numa velocidade muito rápida ou muito devagar para percebermos.
sábado, outubro 14, 2006
Bred

Pertencia ao meu irmão, mas era mais amado pelo meu pai. Sim, ele morreu, já faz algumas semanas. Gosto de lembrar da sua alegria em brincar de pega-pega ou do modo faceiro com que ele vinha pedir um pão de queijo. Por essa iguaria, ele sorria. Triste cão. Teve uma vida solitária como a de todos da minha família. E ontem eu me debulhava em lágrimas no cinema assistindo Valentin, vendo uma criança dando tanto amor, quando não lhe davam nenhum. E hoje fiquei pensando em quão distantes estão as pessoas que eu mais gostaria de abraçar. Venha, venha Bred lamber meu rosto!
sábado, outubro 07, 2006
Coincidências
Uma coincidência é uma coincidência. Duas coincidências são duas coincidências. Mas três ou mais coincidências não são três ou mais coincidências; são um sinal do destino, ao menos na perspectiva do esperançoso. É quando o mundo deixa de ser, aos seus olhos, apenas mundo e passa a ser também vida vivida. Mas sem esperança, infinitas coincidências serão sempre infinitas coincidências e o mundo, sem sinais e magia, se enche de vidas mortas, de eus que se esbarram mecanicamente sem qualquer propósito.
segunda-feira, outubro 02, 2006
Trampolim
Eu gosto deste, escrevi para uma pessoa que amei muito, anos atrás.
O beijo trampolim
Amar também é beijar
Um beijo sem fim
Um beijo que não quer terminar
Um beijo trampolim
Saltita daqui
Saltita dali
Vai pulando o beijo
De beijo em beijo
Um nasce do outro
Um pede o outro
Num desejo transfim
Eis o beijo trampolim!
Gosto dele por me fazer lembrar da alegria transbordante de um amor genuíno. Por me fazer pensar também em quão especial deve ser uma pessoa para que ela mereça o meu amor. É verdade, posso não escolher quem eu amo, mas posso escolher a quem dou o meu amor. E eu só vou dá-lo novamente a uma pessoa que, como na época em que escrevi esse poema, me faça sentir pleno. Menos que isso eu dispenso.
O beijo trampolim
Amar também é beijar
Um beijo sem fim
Um beijo que não quer terminar
Um beijo trampolim
Saltita daqui
Saltita dali
Vai pulando o beijo
De beijo em beijo
Um nasce do outro
Um pede o outro
Num desejo transfim
Eis o beijo trampolim!
Gosto dele por me fazer lembrar da alegria transbordante de um amor genuíno. Por me fazer pensar também em quão especial deve ser uma pessoa para que ela mereça o meu amor. É verdade, posso não escolher quem eu amo, mas posso escolher a quem dou o meu amor. E eu só vou dá-lo novamente a uma pessoa que, como na época em que escrevi esse poema, me faça sentir pleno. Menos que isso eu dispenso.
sábado, setembro 30, 2006
Sonho
Tema e Variações
Sonhei ter sonhado
Que havia sonhado.
Em sonho lembrei-me
De um sonho passado:
O de ter sonhado
Que estava sonhando.
Sonhei ter sonhado...
Ter sonhado o que?
Que havia sonhado
Estar com você.
Estar? Ter estado,
Que é tempo passado.
Um sonho presente
Um dia sonhei
Chorei de repente,
Pois vi, despertado,
Que tinha sonhado.
(Bandeira).
Um dia sonhei despertado. De repente, chorei. Pois vi, lúcido, que não estava dormindo.
Sonhei ter sonhado
Que havia sonhado.
Em sonho lembrei-me
De um sonho passado:
O de ter sonhado
Que estava sonhando.
Sonhei ter sonhado...
Ter sonhado o que?
Que havia sonhado
Estar com você.
Estar? Ter estado,
Que é tempo passado.
Um sonho presente
Um dia sonhei
Chorei de repente,
Pois vi, despertado,
Que tinha sonhado.
(Bandeira).
Um dia sonhei despertado. De repente, chorei. Pois vi, lúcido, que não estava dormindo.
domingo, setembro 24, 2006
Eterno
Tenho memórias de amor que nem deus seria capaz de me tirar. Elas estão tão presentes no meu fluxo consciente que só fabricando um outro completamente diverso do que sou se poderia eliminá-las. O paradoxal delas é que, às vezes, me arrancam sorrisos, noutras, lágrimas. É a diferença entre lembrança e nostalgia, entre lembrar e querer viver a lembrança. E, por favor, querer viver a lembrança não tem nada a ver com querer reviver a lembrança, é a diferença entre nostalgia e saudades.
sábado, setembro 23, 2006
Primavera
Tem gente que aniversareia e fica mais velho. Eu não; eu fico mais novo. Meu corpo pode putrefar, mas minha alma só rejuvenesce. Não é por outro motivo que nasci junto com o desabrochar da primavera. Todo ano ela vem até a mim com o seu beijo vital, enlaçando a criança que pulula em meu peito. Durmo com ela e acordo com o desejo infantil de viver.
quinta-feira, setembro 21, 2006
Livro
E teve a experiência do deja vu. Por alguns instantes, eu tive a certeza de que o livro que eu ganhei hoje eu havia dado de presente para uma pessoa especial no passado. Era como se a natureza estivesse a me retribuir de volta o carinho de outrora em igual medida. Todavia, eu me enganei, cheguei a pegar o livro azul na livraria, mas acabei dando outro.
Livro
um livro azul veio parar hoje em minhas mãos, ganhado de maneira azulada. Abro ele, folheio, escolho uma página aleatoriamente, e invariavelmente encontro uma sensação azul. Hoje tudo é azul, inclusive o meu sorriso.
quarta-feira, setembro 20, 2006
Melancia
Ficar duas semanas sem falar com o próprio pai, e quando, por alguns instantes, sua voz aparece, ela é mesclada com o barulho de uma melancia degustada; boca que mastiga e balbucia, um diálogo de jornal recortado, nonsense. Quando a atenção finalmente se manifesta, é para exaltar os ganhos financeiros de outro filho. A vida é assim, há dias em que o ar é leve, noutros, pesado, como se estivesse a respirar chumbo.
quarta-feira, setembro 13, 2006
Tempo
Quando estava ocioso, o tempo não passava e, nesses momentos de tédio, era como se a vida estivesse congelada. O nó na garganta que chamamos de "angústia" é, em alguns casos, causado por essa paralisia vivencial, por essa percepção de que só a identidade reina absoluta no mundo, livre de qualquer mudança. Agora, atarefado, o tempo passa ligeiro. Mas, de maneira semelhante, às vezes também dá sensação de uma vida congelada. É tanta coisa para se fazer que a vida mesmo parece ficar em modo stand by, como se, de fora para dentro, nos colocassem no piloto automático. Então eu me pergunto. Quando é que realmente vivemos o tempo? Quando o ócio é criativo e quando o amor toca no peito. Só então somos livres para voar.
sábado, setembro 09, 2006
Escolhida
domingo, setembro 03, 2006
Gavetas
Algumas gavetas mnemônicas são trancadas por chaves musicais. Elas se abrem ao toque da melodia correta e jorram o seu conteúdo como se fossem caixas de pandora. Depois de muitos anos, escutei hoje It's a hard life, do Queen, e logo na minha frente apareceu vivamente a sardentinha que ocupou, lá no início da adolescência, dois anos das minhas batidas cardíacas. E ainda me lembro como se fosse agora seu toque em meu braço enquanto desenhava o seu nome sobre ele. Azar o meu que isso tenha acontecido no último dia de aula. Quando voltamos das férias, meu nome já não era mais uma melodia para ela. Ainda assim, sem qualquer esperança concreta (a razão naturalista para sermos capazes de sonhar é justamente essa, possibilitar a esperança, ainda que ilusória), eu desejei ser aquele que contaria as suas sardas a noite inteira, aquele que tocaria seus lábios. It's a hard Life, oh yes.
Assinar:
Postagens (Atom)
